(...) mas tu tens a fronte de uma prostituta, e não queres ter vergonha.
Jeremias 3:3
A segunda razão é que o cão é um animal sem pudor, e os cínicos fazem um culto à falta de pudor, não como sendo falta de modéstia, mas como sendo superior a ela.
Je suis l'Empire à la fin de la décadence,
Qui regarde passer les grands Barbares blancs
En composant des acrostiches indolents
D'un style d'or où la langueur du soleil danse.
Paul Verlaine
O narrador dá logo a entender que não está para satisfazer as vontades do leitor, posto que esteja pronto para satisfazer a suas. Quanto prazer? Todo. Quando? Já. Para o narrador, claro; o leitor tem de esperar.
A prosa é densa, cheia de referências e sugestões sensuais. O exagero parafílico do narrador, o filho, é confrontado pelo comedido discurso do pai, que tende mais para o sapencial. O estilo – neste como em todos os casos – é uma questão de moral. O pai é todo rigor e regra, no seu tom bíblico; o filho, no seu estilo delisquescente, pensa nas regras como peias. A pedra angular de um é a pedra de tropeço do outro.
Nesta retorcida versão da história do filho pródigo, há incesto, zoofilia; há uma fome de tudo, que é uma uma fome de nada – é o desejo de aniquilação.
— Isso já não me encanta, sei hoje do que é capaz esta corrente; os que semeiam e não colhem, colhem contudo do que não plantaram; deste legado, pai, não tive o meu bocado. Por que empurrar o mundo para frente? Se já tenho as mãos atadas, não vou por minha iniciativa atar meus pés também; por isso, pouco me importa o rumo que os ventos tomem, eu já não vejo diferença, tanto faz que as coisas andem para frente ou que elas andem para trás.