18/04/20


(...)
'I that have made, seeing all,
Nothing, and nothing kept, nor understood
Of the empty hands, the hands impotent through time that lift and fall
Along a question –
Nor of passing and re-passing
By the twin affirmations of never and forever,
In doubt, in shame, in silence.'

Nancy Cunard, Parallax 

Boyhood - Richard Linklater


Um bom episódio de Dawson's Creek. As personagens vão aceitando a banalidade com menos aparato (como na realidade). 

Achei a maneira como representa a influência da cultura popular muito interessante.

17/04/20

A Grande Arte - Rubem Fonseca


Acabei este romance antes de o ter acabado. 

A certa altura, Mandrake, a personagem principal, diz a uma mulher: "Estava vendo você fazer ginástica. Parecia um cavalo num quadro de Ucello". Fiquei parecendo um burro num quadro de Toulouse-Lautrec. 

No resto do livro, fui vários quadros expressionistas.

16/04/20

The Lighthouse - Robert Eggers


Vi logo que isto ia ser bom. A intensidade do bigode de Pattinson não engana. 

Dizem que é uma versão moderna de Poe. É verdade, o simbolismo, as fantasias realistas, as reais fantasias e o diálogo pirato-poético levariam, noutro tempo, muitos jovens franceses a consumir ópio e a escrever poemas.

15/04/20

145 Poemas - Konstantinos Kaváfis, trad. Manuel Resende

Aqueles acontecimentos imprevisíveis do passado, surgem agora a a outra luz.

Manuel Resende

Na mesa dos fundos, sob o claro
quadrilátero da janela – e para nossa
edificação – um arabista paulatino
traduz do francês um texto urdu.

Rui Knopfli

(Suponho que isto não tenha grande interesse, mas às vezes dá-me para isto.)

Tentei traduzir alguns destes poemas várias vezes, esquecendo que o meu grego não é este e que o meu grego quase não existe. Nessa ficção, que mantive durante uns anos, eu era um helenista não praticante, que falhava por gosto, não por necessidade. Agarrei-me, como a poesia deste livro, a uma consciência histórica da história da minha consciência. Coleccionei Ítacas, mas acabei por acabei por achar as odisseias cansativas.

13/04/20

Teorema - Pier Paolo Pasolini


Tenho uma dor nas costas. Começo a ver Teorema de Pasolini. Começa logo com reflexões sobre a burguesia. Fico a pensar. Na dor de costas, principalmente. Não faço caso das epifanias (causadas por umas fodas), da consciência burguesa de quatro e da meia dúzia de atentados alegóricos. Concluindo: doem-me as costas.

12/04/20

The Old Wives' Tale - Arnold Bennett

Yet you will find people in Bursley ready to assert that things generally are not what they were, and that in particular the romance of life has gone. But until it has gone it is never romance.

Quem envelhece estranha o mundo que se renova, e torna-se estranho por não ter mudado muito. As duas irmãs do romance vão acompanhando e sofrendo as mudanças, quando os seus interesses privados o permitem; passam de encantadoras raparigas a matronas ridículas, que é o castigo da coerência.

Não é um romance experimental, nem muito original, mas vale a pena ler, como um consciencioso estudo psicológico.

06/04/20

Slacker - Richard Linklater


Apanha muito bem esses alienados que chegaram à brilhante conclusão que a ordem vigente se combate com desordem. Sou de uma escola alienação diferente.

01/04/20

Wendy & Lucy - Kelly Reichardt



Wendy passa o filme à procura de Lucy, a sua cadela. Anda à procura e não é só de uma cadela.

31/03/20

Der Wald vor lauter Bäumen - Maren Ade


Parei o filme várias vezes. Está muito bem feito este filme, insuportavelmente bem feito. O desconforto social, as pequenas mentiras, o  sortido de pequenos problemas criam uma sensação de desespero quieto, que não me lembro de ver num filme desde o All or Nothing.

30/03/20

J'entends plus la guitare - Philippe Garrel



La beauté sera CONVULSIVE ou ne sera pas.

André Breton

Gosto destes filmes, tipicamente franceses, em que os personagens usam muita filosofia para não aprender nada. Aprender com os nossos erros é a forma mais baixa de conformismo, pensam os personagens. Parece que já vivi isso em algum lado. 

29/03/20

How to Disappear: Notes on Invisibility in a Time of Transparency - Akiko Busch

How much larger your life would be if your self could become smaller in it ... you would find yourself under a freer sky, in a street full of splendid strangers.



G.K. Chesterton

Um colega de universidade disse-me que se lembrava de mim porque eu raramente aparecia nas aulas. Esta conspícua invisibilidade não é, penso, intencional. No fundo, gosto de ver ao longe, mas evito participar (os prémios de participação são tão fraquinhos).

Este e outros tipos de invisibilidade são explorados no livro. Busch aproveita memórias pessoais, artigos científicos, artefactos da cultura popular e erudita,  num exercício em que a enumeração de factos semi-interessantes não prejudica a prosa. As partes do livro sobre a natureza são brilhantes:

It’s a wonder I noticed at all the walking stick insect resting lightly on a wisteria branch near the porch railing last summer. Its symmetry, hue, and twig-like lightness all disdained notice. But once I did, I could see that its elegance was not just a matter of its delicate frame and subdued color, but of its slight tremble as well, seemingly less voluntary than the result of a breeze blowing a bit of branch. Its virtuoso reticence came from form, color, and deportment, all of these collaborating in its effort to become an entity of a different kingdom. Calling it an inconspicuous marvel is not a contradiction.