Acho que foi na série O Mentalista que ouvi a expressão «palácio da memória» pela primeira vez (qualquer coisa sobre um pato de borracha, numa sala qualquer, para recordar outra coisa qualquer). Já era um especialista em esquecer coisas nessa altura, mas ainda me conseguia lembrar de ter lido parte dum livro em que Umberto Eco falava sobre mnemotécnica; não sei o nome do livro, nem sobre o que era, mas tem lá aquela história engraçada dum gajo que empregava (?) outro gajo para o lembrar da sua mortalidade (agora há apps para isso).
Passou algum tempo. Ouvi outra vez a expressão na série Hannibal e devo ter procurado um documentário no youtube ou algo semelhante (um sinal de intenções sérias).
Passou algum tempo. Li os livros de Thomas Harris em que ele refere este livro como base para o palácio da memória de Hannibal Lecter. Bom, desta vez decidi ler o livro e ver o que era, não me ia esquecer de...
Quase um ano mais tarde, encontrei o livro no meu Kindle, por acaso, e comecei a ler.
No fundo, é um livro sobre a procura de uma chave, a Clavis Magna, que ainda ninguém encontrou. Da memória usada para as ninharias onerosas da retórica até ao método científico de Bacon, vemos que se procura uma solução geral para problemas. A maioria quer só resolver todos os problemas (Bruno, Lulio, Leibniz, etc.), mas também há gente anormal que só quer resolver alguns (Cicero, Quintiliano, Aquino). Eu admiro os primeiros, compreendo os segundos e sou um dos terceiros.
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